Todos sabemos que o trabalho artesanal é dos mais caros e menos valorizados que há. No entanto, há limites!
Gostaria de conseguir escrever com algum humor, mas este tema deixa-me triste e logo, sem espírito para brincadeiras. Este é um assunto e um post sérios.
![]() |
Imagens via Google |
Quando esta tendência começou a surgir por tudo o que era fast fashion, criou-se (e muito bem) um género de um movimento que incentivava a compra das cestas no nosso mercado tradicional e, boicotava assim a compra nas multi nacionais. Tudo estaria certíssimo (eu própria comprei a minha primeira cesta no mercado artesanal nacional) se não fosse o oportunismo.
Obviamente, todos trabalhamos para ganhar dinheiro, não é isso que está em causa. O que está em causa é a prática de valores completamente ridículos por algumas "marcas" intermediárias. Pois... intermediárias!
Ora, vejam comigo:
se o artesanato fosse vendido pelo productor, directamente, sem intermediários, conseguiríamos peças bonitas e de boa qualidade a um bom preço.
Passando por um intermediário razoável, conseguiríamos as mesmas peças de boa qualidade, personalizadas com bom gosto e de forma original a um preço justo.
Deixei este exemplo no meu outro post, mas há mais marcas ☺
e depois há as marcas oportunistas, onde temos productos que podem ser de boa qualidade (ou não), originais e personalizadas sem grande investimento (vi algumas peças personalizadas apenas com um pendente de fios de algodão colorido), a um preço completamente absurdo, como se uma brand se tratasse quando, no fundo, não passa de uma cesta de verga de fabrico artesanal!!!
Não quero, com isto, retirar o mérito do espírito inovador e empreendedor das marcas (e das pessoas por trás das marcas), mas tem de haver limites razoáveis, até para que haja concorrência justa!
E isto não se passa só com as cestas, é transversal a tudo o que é tendências de moda! Basta passear por um ou dois "mercados" destes que agora estão tão na moda aqui em Lisboa e comprovar que o que aqui escrevo, é mesmo assim, sem qualquer tipo de ênfase acrescentada ☺
Sou muito defensora do consumo dos productos nacionais. Gosto de ter peças originais e que primem pela diferença, coisa que não consigo se comprar na Zara ou noutra semelhante, mas, se eu tiver disponíveis, por exemplo, 150 euros para comprar uma carteira, obviamente, não vou comprar uma cesta duma marca que ninguém conhece! Vou agarrar nesses 150 euros e vou comprar uma carteira da Michael Kors ou da Bimba y Lola!!! E decido isso, sem pestanejar!
E vocês, o que pensam desta especulação descontrolada?
Acham justo que se venda uma cesta de verga à qual apenas se acrescentou um pendente colorido, por 125 euros, quando o artesão que a produziu de raiz, a vendeu por uns 15 ou 20 euros? Ou menos?
Não concordam que deveria haver um meio termo?
Desculpem-me o desabafo ☺